10/01/2025
Tecnologia para pecuária: do caderninho ao confinamento orientado por dados
Veja como a digitalização da fazenda muda o resultado do confinamento, da compra ao abate.
Por Equipe SmartBov
O produtor que ainda controla a fazenda só no caderninho compete, hoje, com operações que tomam decisão em cima de dados em tempo real. Na pecuária de corte e, principalmente, no confinamento, isso faz diferença direta no custo por arroba e na margem por animal.
Nos últimos anos, a combinação de conectividade, sensores, softwares de gestão e inteligência artificial transformou a forma de produzir carne no Brasil. Estudos da Embrapa mostram que sistemas bem manejados de integração lavoura-pecuária podem multiplicar por quatro ou cinco o ganho de peso vivo por hectare em relação à pecuária extensiva tradicional. Essa diferença não vem de mágica, mas de gestão fina baseada em informação confiável.
Neste artigo, vamos mostrar como a tecnologia entra, na prática, no dia a dia do confinamento e quais são os primeiros passos para sair da anotação manual e caminhar para um modelo de pecuária orientada por dados.
Em resumo
- Dados confiáveis reduzem custo por arroba e aumentam previsibilidade.
- Software de gestão, leitura de cocho e IA formam a base da operação.
- O segredo está na disciplina de registro e na comparação histórica.
- Comece pequeno e evolua conforme a equipe ganha confiança.
O novo contexto da pecuária de corte
- Mercado externo cada vez mais exigente em rastreabilidade e padronização de carcaça
- Custos de alimentação representando a maior parte do custo total do confinamento
- Margens apertadas, que não toleram erros de manejo ou perdas por falta de controle
Nesse cenário, a diferença entre um lote que dá lucro e outro que empata está em detalhes: dias a mais no cocho, ganho médio diário abaixo da meta, ração mal ajustada ou desperdício que poderia ser evitado.
Por que só olhar o rebanho não basta mais
Durante muito tempo, o olhar experiente do produtor e do capataz foi a principal ferramenta de diagnóstico da fazenda. Essa experiência continua valiosa, mas, sozinha, ela não consegue acompanhar a complexidade atual da operação:
- Lotes diferentes, com dietas distintas, em estágios de engorda variados
- Equipes de trato em turnos, com rotinas que precisam ser padronizadas
- Decisões rápidas de compra e venda, impactadas por mercado, clima e nutrição
Sem um sistema organizado de coleta e análise de dados, muita coisa importante simplesmente se perde no dia a dia. Anotações em papéis se misturam, planilhas não são atualizadas e, quando chega o fechamento do lote, já é tarde para corrigir rota.
O papel da tecnologia dentro do confinamento
Tecnologia para pecuária não significa, necessariamente, robôs e grandes investimentos. Na prática, falamos de um conjunto de soluções que se complementam:
- Software de gestão para centralizar dados de animais, lotes e manejos
- Leitura de cocho (manual ou automática) registrada de forma padronizada
- Sensores e coletores de dados para reduzir erro humano
- Modelos de IA que ajudam a antecipar problemas e sugerir ajustes
Quando essas peças estão integradas, o produtor passa a enxergar o confinamento como um fluxo único: da entrada do animal até a venda, cada evento é registrado, analisado e usado para melhorar o próximo lote.
Da anotação manual à gestão integrada
Uma mudança importante é deixar de registrar apenas tarefas e começar a construir histórico. Mais do que saber “o que foi feito hoje”, o objetivo é responder perguntas como:
- Quanto meu ganho médio diário evoluiu de um lote para outro?
- Qual dieta entregou melhor conversão em determinado tipo de animal?
- Em qual período do ano mais sofro com perda de desempenho e por quê?
É aí que entra um software de gestão pensado para a pecuária. Ele organiza informações zootécnicas, sanitárias e econômicas em um só lugar, evitando retrabalho e permitindo comparar resultados ao longo do tempo.
Por onde começar na prática
Alguns passos simples ajudam a iniciar essa jornada de forma sustentável:
- Definir quais indicadores são realmente críticos para o seu negócio (GMD, conversão alimentar, custo por arroba produzida, taxa de mortalidade etc.).
- Padronizar a coleta desses dados na rotina da fazenda, minimizando lançamentos manuais dispersos.
- Escolher um software que converse com a realidade da equipe, com boa usabilidade e suporte.
- Começar pequeno, com poucos módulos, e ir evoluindo conforme a equipe ganha confiança.
Mais do que “ter tecnologia”, o importante é conseguir transformar informações em decisões melhores todos os dias. É essa consistência que, somada ao longo dos ciclos, diferencia operações lucrativas de operações que vivem apagando incêndio.
Nos próximos conteúdos, vamos aprofundar alguns desses pilares: softwares de gestão, BI na pecuária, leitura de cocho com IA e automação da rotina de trato.
Checklist rápido
- Definir 3–5 indicadores críticos (ex.: GMD, conversão, custo/arroba)
- Padronizar rotinas de registro (trato, leitura de cocho, pesagens)
- Escolher um software aderente à operação de campo
- Integrar entradas-chave (balança, cocho, custos)
- Revisar resultados ao final de cada lote
Conclusão
Tecnologia na pecuária começa com organização e dados. Com um sistema simples e processos bem definidos, você cria a base para BI e IA entregarem valor real: menos desperdício, decisões mais técnicas e resultado mais previsível por lote.